Para Biólogos

Penas da discórdia
Filamentos encontrados em dinossauro chinês esquentam debate sobre a origem dessas estruturas

O Tianyulong confuciusi viveu há 144 milhões de anos na China e possuía longos filamentos que podem ser considerados antecessores evolutivos das penas. O problema é que eles não pertencem ao grande grupo de dinossauros que deu origem às aves modernas (arte: Li-Da Xing).

A descoberta na China de fósseis de um dinossauro com filamentos semelhantes a penas primitivas promete colocar fogo no debate sobre a origem dessas estruturas. O réptil em questão, batizado de Tianyulong confuciusi, veio bagunçar a vida dos paleontólogos, pois pertence a um ramo evolutivo distante daquele até então considerado a base evolutiva das aves modernas.

A hipótese mais aceita até aqui postula que as aves atuais são descendentes dos terópodes, répteis carnívoros que faziam parte de um dos dois grandes grupos de dinossauros, chamado Saurischia. Acreditava-se que o surgimento das penas teria ocorrido em animais desse grupo. No entanto, o T. confuciusi pertence ao outro grande grupo de dinossauros, denominado Ornithischia — no qual se incluem várias espécies de herbívoros, inclusive o Triceratops e outros répteis encouraçados.

Ossos da nova espécie, que viveu há cerca de 144 milhões de anos, foram encontrados na formação Yixian, na província de Liaoning (China), famosa por sua abundância de fósseis, que lhe valeu o apelido de “Pompeia do Cretáceo”. A região é notória justamente por abrigar numerosos fósseis com penas, que haviam ajudado a explicar a história evolutiva das aves, como explicou o paleontólogo Alexander Kellner em uma de suas colunas na CH On-line.

Mas a história das penas agora tem novos elementos: três fragmentos de filamentos longos integrados à pele, encontrados nos fósseis do T. confuciusi. “Esses filamentos preenchem a lacuna do estágio inicial de evolução das penas, mesmo que compliquem as interpretações anteriores sobre esse assunto”, afirma à CH On-line Hai-Lu You, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Geológicas e um dos autores do artigo que descreve a nova espécie, publicado esta semana na Nature.

Incerteza
No entanto, os autores ainda não têm certeza de que essas estruturas filamentosas sejam de fato predecessores evolutivos das penas modernas. Se assim fosse, os filamentos deveriam ser prolongamentos da epiderme, camada mais superficial da pele. Porém, existe também a chance de que eles estivessem ligados à derme, mais profunda. “Nesse caso, os filamentos não teriam qualquer relação com penas”, diz You. “Mas, de acordo com nossas análises, as evidências apontam para o primeiro caso, e então os filamentos de fato seriam protótipos das penas modernas.”

Segundo You, são necessários mais estudos para confirmar que os filamentos do T. confuciusi são de fato ‘protopenas’. Mas tudo indica que, há 144 milhões de anos, existia na China um pequeno dinossauro com penugem sobre o corpo que tanto pode compartilhar algum ancestral comum com as aves modernas quanto representar um ramo evolutivo que não vingou.

Isabela Fraga
Ciência Hoje On-line
19/03/2009

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